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Você sabia? Ácaros podem estar presentes em alimentos: Saiba como evita-los

Não, estes seres minúsculos não habitam somente nossos travesseiros e tapetes. Ácaros também podem ser encontrados em alimentos, e por seu potencial como alérgenos e vetores de doenças, representam um grupo de interesse à Saúde Pública.

Na verdade, os ácaros estão distribuídos nos mais diversos ambientes: solo, matéria orgânica em decomposição, casca de árvores, locais arenosos, profundezas oceânicas, cavidades pulmonares de caracóis, condutos nasais de anfíbios, superfície externa de todos os grupos de vertebrados terrestres (incluindo sua pele), sofás e alimentos (inclusive o seu chocolate).  

Além de poder causar problemas médicos, a presença de ácaros pode acarretar prejuízos econômicos. Algumas espécies são pragas de plantações, enquanto outras se alimentam de produtos alimentícios armazenados. Mas, afinal, o que são ácaros? Como combate-los?

Ácaros: Parentes das aranhas

Os ácaros são animais da subclasse Arachnida, (assim como as aranhas, escorpiões e carrapatos) e medem aproximadamente 0,5 milímetro de comprimento (14 vezes menores do que um grão de arroz!). Esses pequenos artrópodes possuem quatro pares de pernas, cabeça e tórax fundidos em um único órgão (cefalotórax), e um par de apêndices anteriores peculiares denominados quelíceras (do grego khelé: pinça).

Cerca de 30 mil espécies já foram descritas, podendo ser tanto de vida livre, incluindo herbívoros e predadores que habitam os mais variados hábitats, quanto simbióticas, parasitando hospedeiros vertebrados e invertebrados. Ácaros ainda podem ser hospedeiros de parasitas que infectam mamíferos.

Nos alimentos, os ácaros são encontrados principalmente em grãos armazenados, como trigo, arroz e milho podendo, no entanto, estar presentes em produtos à base de peixes, rações, massas e biscoitos. Os ácaros podem se originar do solo, de áreas próximas ao silo de estocagem dos grãos, ou transportados por roedores, insetos ou aves.

Más condições beneficiam a proliferação de ácaros

Entre os fatores que beneficiam a proliferação de ácaros como limpeza e higiene precárias, também propiciam o desenvolvimento temperatura, umidade relativa, infestação por insetos e oferta abundante de nutrientes. Desse modo, é compreensível a presença de ácaros em roupas de cama, colchões, almofadas, dentre outras, já que estes lugares apresentam todas as características ideais para sua reprodução.

Assim, a contaminação de um alimento por ácaros não necessariamente terá sua origem no campo, mas pode ocorrer dentro de nossas casas. Mais da metade dos problemas alérgicos respiratórios humanos se devem aos ácaros ambientais, e aos seus fragmentos e dejetos deixados no ambiente.

Mocinhos ou vilões?

Cabe ressaltar, entretanto, que os ácaros não são inimigos propriamente ditos. Algumas espécies inclusive desempenham um importante papel no controle biológico de outros ácaros, insetos, e na adubação do solo. Outras são capazes de desencadear quadros alérgicos, mas geralmente em indivíduos previamente sensibilizados. Em 2009, Geller et al. relataram a ocorrência de choque anafilático em uma paciente de 36 anos de idade, com histórico de rinite alérgica, após consumir uma empada caseira contaminada com ácaros.

As análises microscópicas revelaram que a farinha de trigo utilizada no preparo do salgado continha 300 ácaros por grama, e estava há meses acondicionada semiaberta em um armário a temperatura ambiente (GELLER et al., 2009). Este caso raro poderia ter tido um final trágico, mas serve de alerta para os cuidados que devemos ter ao preparar e conservar os alimentos em casa. Há de se sempre considerar o risco iminente de ácaros de armazenamento e domiciliares contaminarem nossos alimentos, trazendo consigo esporos de fungos, parasitas e vírus.

Devido sua importância, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabeleceu limites de tolerância para a presença de ácaros em alimentos, publicados no Anexo 2 da RDC n°14/2014. Isto significa que, no Brasil, é praticamente impossível produzir um alimento isento deste tipo de sujidade. No entanto, produtores, fabricantes, distribuidores e fornecedores devem se comprometer a seguir todos os procedimentos cabíveis para oferecer à população alimentos seguros e em boas condições higiênico-sanitárias.

Destaca-se assim o papel dos órgãos oficiais de fiscalização, e também dos laboratórios de ensaios que realizam análises para monitorar a qualidade de alimentos, bebidas, matérias-primas e aditivos alimentares. E é evidente que nós, enquanto consumidores, temos nossa parcela de responsabilidade. Precisamos observar os alimentos desde o momento em que os adquirimos, se estão úmidos, danificados, em embalagens violadas ou fora do prazo de validade.

Como evitar a contaminação domiciliar de alimentos por ácaros?

  • Manter despensas, gavetas e armários em bom estado de conservação – Esses locais devem ser limpos, secos, organizados e com ventilação adequada.
  • Armazenar os alimentos em utensílios apropriados – Vedar os pacotes contendo alimentos parcialmente consumidos, guardando-os de preferência em geladeira. Se for necessário transferir o alimento de sua embalagem original, este deve ser colocado em um recipiente limpo e hermeticamente fechado.
  • Verificar as condições do alimento ao manipula-lo e antes de consumi-lo – evitar guarda-los por muito tempo e, por tanto, estocar grandes quantidades que muitas vezes são desnecessárias, o que favorece sua deterioração.

Atitudes simples, acessíveis e amplamente conhecidas como estas podem reduzir a contaminação de alimentos por ácaros e outras sujidades em nossos lares, tornando a convivência com estes simpáticos bichinhos ecologicamente mais equilibradas.

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