Tribologia

Variações nos resultados de carga aditiva nos relatórios. Por que ocorrem?

As substâncias conhecidas como aditivos para lubrificantes têm como objetivo modificar e potencializar suas propriedades, visando uma melhor performance. Este artigo aponta as razões mais comuns das variações nos resultados da carga aditiva.

A aditivação

Os motores a diesel têm experimentado diversas transformações tecnológicas de seus fabricantes ao longo dos anos. Os novos componentes eletrônicos passaram a apresentar problemas com o uso de combustível convencional, dentre eles, entupimento dos bicos injetores, corrosão no sistema injetor, etc.

Mas não apenas os motores diesel têm recebido novos conceitos tecnológicos. A indústria moderna, como um todo, tem procurado otimizar recursos de todas as formas, principalmente no quesito de eficiência energética.

São desafios que exigiram lubrificantes com grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento. A aditivação é uma das respostas a estes desafios: Melhorar a performance de lubrificantes pelo aprimoramento de características existentes e pela incorporação de novas, sempre de acordo com o tipo de equipamento e aplicações.

Portanto, para cada caso temos aditivos diferentes ou em quantidades diferentes.

Pensando nisso, é importante ressaltar que a mistura de fluidos de formulações muito diferentes pode gerar reações químicas sérias. Já para lubrificantes que possuem a mesma filosofia (mesma base, mesmo família de aditivos), o menos aditivado diluirá o aditivo do mais aditivado.

Principais aditivos

Os aditivos são compostos orgânicos ou inorgânicos dissolvidos ou em suspensão no lubrificante.

A tabela abaixo dá uma visão bem geral sobre as famílias e quantidades de aditivos mais comuns.

Os trabalhos dos fabricantes de lubrificante em conjunto com os fabricantes de máquinas resultam numa grande variedade de modelos à nossa disposição. Assim, cada um destes modelos possui sua receita própria dentro do mesmo fabricante. Portanto, não existem óleos iguais.

Não existem normas para fabricação de lubrificantes?

Sim, existem, e não são poucas. Mas elas ditam níveis de desempenho e não formulações. Estes níveis de desempenho são também ditados pelos fabricantes de máquinas.

Portanto, os fabricantes buscam suas próprias soluções para atender aos requerimentos de taxa de desgaste, estabilidade térmica, variação de viscosidade, proteção contra corrosão, compatibilidade com outros materiais utilizados nos componentes mecânicos, baixa formação de depósitos e vários outros. Além disso, há casos de limitações de emissões de gases, metais pesados etc.

Já os lubrificantes classificados como grau alimentício precisam passar também por testes biológicos.

Uma vez atingido os requerimentos de desempenho, os fabricantes de lubrificante procuram manter fixa a “receita”. Durante a fabricação, as tolerâncias costumam ser da ordem de +/- 10%.

É importante frisar que os fabricantes possuem a liberdade garantida de alterar a formulação sem prévio aviso. Além disso, há sempre uma nota a este respeito nas fichas técnicas dos lubrificantes.

Quando ocorre uma alteração do desempenho oferecido, aí sim o fabricante precisa nos avisar.

Enfim, nós não compramos fórmulas como quando adquirimos um medicamento farmacêutico. Nós compramos desempenho.

Alteração da carga ativa

O resultado relacionado a carga aditiva pode sofrer alterações devido a fatores variados. Antes de mais nada, lembremo-nos que os lubrificantes são misturas de vários produtos. Portanto, eles não são um único composto.

Conforme dito acima, o próprio fabricante tem o direito de alterar a formulação. Não é algo que ocorra com frequência. Portanto, caso seja notada uma variação na carga aditiva, verifique antes as possibilidades mais comuns:

  • O simples consumo decorrente do uso e possivelmente acelerado pelos metais de desgaste da própria máquina.
  • Falha de vedação: Durante a operação de equipamentos e máquinas é possível uma falha de vedação entre galerias permitindo a passagem de fluidos diferentes (lubrificantes, fluidos de corte, liquido arrefecedores, dentre outros), ocasionando uma mistura e, como resultado, variação da aditivação.
  • Abastecimento incorreto: A mistura de fluidos interferindo na carga aditiva ocorre por abastecimento incorreto, ou seja, por fluido inadequado, por variações devido ao processo de fabricação do lubrificante (batelada/lote diferente) e por reformulações do lubrificante realizadas pelos fabricantes.
  • Contaminação externa: A contaminação externa também interfere no resultado dos aditivos, pois podemos identificar elementos que normalmente estão relacionados com a carga aditiva e que na verdade estão presentes no local de operação do equipamento. Um exemplo simples é encontrarmos Cálcio numa amostra oriunda de processo com calcário.
Além dessas, devemos listar também:
  • Contaminação por água. Sem dúvida, é uma das piores que pode ocorrer para afetar a composição química do lubrificante.
  • Precipitação de aditivos, retenção em filtros exageradamente “apertados” ou tratamentos feitos em campo. Este fenômeno costuma ocorrer mais com aditivos sólidos, embora não sejam raros casos com aditivos líquidos.
  • Evaporação dos leves. Este é um fenômeno mais comum em motores a combustão que recebem várias reposições durante os intervalos de troca completa. Os elementos químicos que não se evaporam continuam presentes e, a eles, somam-se os elementos do óleo novo num efeito cumulativo.
  • Problemas de coleta: Deixamos este caso por último, entretanto é o mais comum. Interferências no momento da coleta podem trazer informações que não refletem o cenário real na máquina.

Qual o valor aceitável de variação na carga aditiva?

Seria muito fácil dizermos que está em torno de +/- 10% uma vez que esta é a tolerância mais comum na fabricação do lubrificante. Pelo que vimos até agora, não é tão simples.

Antes de buscar fatores externos e discussões desgastantes, nossa experiência sugere que sejam verificados os fatores que listamos acima.
Conseqüentemente,  a ação mais simples é efetuar uma nova coleta para confirmação dos resultados.
Veja também o histórico de seu próprio equipamento. Pode ser realmente uma questão de ambiente operacional ou característica da própria máquina.

E, por fim, investir numa análise do produto novo retirado diretamente da embalagem. Existem inúmeras empresas que adotam este procedimento para cada batelada adquirida no mercado.

Este assunto é muito extenso e complexo. Buscamos aqui dar apenas uma noção do que é mais comum. Portanto, não guarde dúvidas para si. A qualquer momento, entre em contato com os especialistas da ALS. Certamente estamos prontos para auxiliá-lo.

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