Artigos, Meio ambiente

Por que os Limites de Quantificação das amostras aumentam?

Ao analisar um laudo de amostra ambiental, pode acontecer de os limites de quantificação ficarem maiores que o escopo ALS.

Uma das situações que causam o aumento desse limite, por exemplo, são amostras que contêm concentrações do analito-alvo acima da faixa de linearidade validada para o método, o que pode saturar o detector e impedi-lo de responder proporcionalmente a qualquer analito adicional. Assim, não é garantido que o sinal gerado pelo detector é proporcional à quantidade presente na amostra.

Assim, quando a concentração fica acima do último ponto da curva de calibração, dilui-se a amostra. Dessa forma, a concentração fica dentro da faixa de linearidade.

Porém, essa estratégia que permite quantificar amostras muito concentradas, tem como consequência o aumento proporcional do limite de quantificação reportado. Por exemplo, uma amostra diluída 10 vezes terá um limite de quantificação reportado 10 vezes maior do que o limite de quantificação do método.

Complexidade da amostra

Além disso, a própria complexidade da amostra pode causar o aumento do limite de quantificação, pois, diferentemente do padrão utilizado no estudo do limite de quantificação, a amostra ambiental, geralmente, é constituída por uma mistura de outros compostos, além do analito-alvo que está sendo quantificado, que podem interferir na análise – o que em analítica recebe o nome de efeito matriz.

 A fim de minimizar a interferência dessas outras substâncias, dilui-se a amostra. Contudo, como foi exposto anteriormente, quando ocorre diluição da amostra, é necessário também aumentar proporcionalmente o limite de quantificação reportado.

Outras razões

Há também um caso específico para amostras sólidas, como solos. Para amostras desse tipo de matriz, o limite de quantificação é ajustado em relação ao teor de umidade presente na amostra, e quanto maior o teor de umidade presente inicialmente na matriz sólida, maior será também o seu limite de quantificação reportado. Pois, da mesma forma que amostras diluídas têm os seus limites de quantificação ajustados proporcionalmente à diluição, os limites de quantificação de amostras sólidas também são ajustados conforme os seus teores de umidade. Por isso, nos laudos da ALS há uma observação ressaltando que os resultados reportados no laudo de amostras sólidas são expressos sobre a base seca.

Em alguns tipos de amostras – como óleos muito carregados –, é necessário realizar um processo chamado micro-extração, que utiliza uma massa muito menor do que aquela necessária em uma extração convencional, e como o limite de quantificação reportado é uma grandeza inversamente proporcional à massa utilizada na extração, então ele sofre um aumento expressivo.

Há também situações nas quais o laboratório precisa trabalhar com uma massa menor de amostra na análise, porque não foi enviada a quantidade suficiente para se realizar o procedimento padrão. Porém, como já foi dito anteriormente, o limite de quantificação reportado é uma grandeza inversamente proporcional à massa utilizada na extração, por isso, quando acontece do laboratório ter que utilizar uma massa menor de amostra, o limite reportado também fica maior do que aquele que consta no escopo.

Análise de compostos orgânicos voláteis

O último caso de aumento do limite de quantificação reportado acontece em análise de compostos orgânicos voláteis em solos preservados em metanol (método VOC Metanol), que é um método apropriado para amostras sólidas com alta concentração de compostos orgânicos, acima de 200 µg/kg.  Para esse método, a amostra de solo deve ser coletada diretamente em um vial no qual foi adicionado previamente uma determinada massa de metanol. Para realizar a análise, uma alíquota desse metanol (extrato) é retirada do vial e diluída em água. Essa amostra de metanol diluída é, então, analisada no equipamento.  O aumento do limite se deve à correção dos resultados em relação à diluição que ocorreu por causa do metanol e também devido ao teor de umidade que a amostra pode apresentar, e por se tratar de análise de compostos voláteis, o extrato de metanol não pode ser concentrado para minimizar o efeito da diluição.

O limite de quantificação reportado é ajustado e fica maior do que o limite de quantificação do escopo, grosso modo, toda vez que se diminui a quantidade no analito-alvo entregue ao detector, seja porque a amostra apresenta teor de umidade ou porque foi necessário diluí-la ou porque foi utilizada uma quantidade menor em seu preparo antes de analisá-la. Por fim, é importante ressaltar que os fatores que levam ao aumento do limite reportado podem se combinar. Um exemplo disso são amostras úmidas de matriz sólida com interferentes, cujos limites de quantificação reportados são ajustados. Isso ocorre, tanto por causa do teor de umidade presente na amostra, quanto pela diluição necessária para minimizar o efeito matriz.

Compartilhe este conteúdo

Imprimir