Farmacêutico

O que é o método indicativo de estabilidade?

O desenvolvimento do método indicativo de estabilidade executado através da norma RDC 53 de 2015 estão ganhando força nas indústrias farmacêuticas.

A resolução fornece instruções para que, de forma apropriada, os produtos de degradação em medicamentos que possam apresentar toxicidade ou ultrapassem um nível que comprometa sua eficácia e segurança quanto ao seu uso, sejam averiguados. Também estabelece parâmetros para a notificação, identificação e qualificação de produtos de degradação em medicamentos.

Para ter êxito em um método seguindo as diretrizes da norma, além de saber conduzir a parte prática, os profissionais devem entender os conceitos tratados na norma e os ensaios necessários ao atendimento das exigências da resolução.

Guias – RDC 53

A RDC 53 é respaldada pelo Guia 4/2015 e ambos são complementados por um documento denominado “Perguntas e respostas” da Anvisa, o qual tem como finalidade elucidar as questões mais frequentes relacionadas à RDC 53/2015 e ao Guia 4/2015.

Quando se deseja obter um método indicativo de estabilidade devemos compreender os seguintes pontos:

O que é um método indicativo de estabilidade?

Método indicativo de estabilidade é um método capaz de constatar e mensurar todos os produtos de degradação significativos do perfil de degradação “real”.

Qual a diferença entre o perfil de degradação “real” e o “potencial”?

O perfil de degradação “potencial” é o perfil obtido ao se realizar o estudo de degradação forçada. O perfil de degradação “real” é obtido, sobretudo, através do estudo de estabilidade de longa duração.

Como se chega ao perfil de degradação “potencial”?

O perfil de degradação “potencial” se alcança ao realizar o estudo de degradação forçada obtendo o perfil de degradação. Trata-se do conjunto de produtos de degradação observado ao expor a determinadas condições de estresse o IFA (insumo farmacêutico ativo), placebo e produto acabado (quando se trata de um ativo apenas).

Vale ressaltar que o estudo do perfil de degradação trata-se da análise crítica e, quando necessário, é composto de uma parte experimental, que é o estudo de degradação forçada.

Conforme o artigo 7° da norma, a análise crítica deve abranger: a verificação da pureza cromatográfica e o estudo dos fatores que podem afetar de alguma forma na estabilidade do medicamento.

Esclarecidas essas questões, é necessário sempre lembrar que ao realizar a degradação forçada, as condições em que o IFA, placebo e produto devem ser expostos são:

  • Solução ácida, básica e oxidante
  • Íons metálicos
  • Exposição fotolítica
  • Aquecimento
  • Umidade

A RDC 53 não define as concentrações dos agentes degradantes ou o tempo de exposição limite (endpoints). Porém sempre devemos lembrar que temos que simular condições reais de exposição e, como preconiza a resolução, obter degradação maior que 10% do ativo e inferior àquela que levaria à degradação completa da amostra, de forma a se evitar degradações secundárias que possam comprometer o balanço de massa, conduzindo à interpretação dos resultados de forma errônea e até mesmo comprometendo a análise. Cabe ressaltar, aliás, que ao se obter degradação inferior a 10% é preciso apresentar justificativa técnica fundamentada.

Justificativas técnicas

A empresa precisa apresentar na solicitação, o estudo com os argumentos dos endpoints escolhidos e as referências utilizadas de modo a alicerçar seu material.

Caso alguma das condições mostradas anteriormente não possa ser realizada por características intrínsecas da amostra ou por não ser aplicável, deve possuir justificativas técnicas.

O perfil de degradação potencial e o perfil de degradação real podem ser diferentes, tanto qualitativamente quanto quantitativamente. Contudo, para um método ser considerado indicativo de estabilidade, o perfil de degradação potencial sempre deve conter o perfil de degradação real.

Desenvolvendo uma metodologia que cumpra estes requisitos, o método analítico irá monitorar com segurança quaisquer produtos de degradação, garantindo a eficácia e segurança do produto.

Compartilhe este conteúdo

Imprimir