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O perigo por trás dos contaminantes emergentes

O que são contaminantes emergentes?

Contaminantes emergentes são compostos pouco monitorados provenientes de avanços tecnológicos e atividade humana. Eles estão presentes na água, solo e ar, e vêm deixando pesquisadores em alerta, devido ao seu potencial efeito adverso ao meio ambiente e à saúde humana. Estas substâncias não estão inseridas em normas, legislações e nem em programas de monitoramento.

O que faz um composto ser monitorado?

De acordo com Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA  420 Art. 6º), define-se como contaminação a “presença de substância(s) química(s) no ar, água ou solo, decorrentes de atividades antrópicas, em concentrações tais que restrinjam a utilização desse recurso ambiental para os usos atual ou pretendido, definidas com base em avaliação de risco à saúde humana”, ou seja, pode-se entender como a limitação do uso de recursos naturais devido à presença de substâncias químicas, em certas concentrações, geradas pela atividade humana no meio ambiente.

Na avaliação de risco estima-se a probabilidade de um composto químico causar efeitos adversos em uma determinada população e em condições de exposição pré-determinadas. A avaliação consiste na identificação de periculosidade, avaliação da exposição, relação dose-efeito e caracterização de risco. Dessa forma, é possível analisar gerenciamento de riscos e análise de custo-benefício, porém, infelizmente, não são todas as substâncias químicas que passam por esse processo de avaliação, já que demanda tempo e recursos.

Quais os riscos?

Um dos principais riscos é que esses contaminantes estão sendo gerados em grandes quantidades e não sabemos os efeitos dessas substâncias para a natureza e para a saúde humana a longo prazo.

Quem são esses contaminantes emergentes?

Entre as principais substâncias encontradas estão:

  • Pesticidas;
  • Fármacos: Analgésicos, Anti-inflamatórios (ibuprofeno, paracetamol), Ácido acetil salicílico AAS, Ansiolíticos, Antidepressivos e Antibióticos de uso humano e veterinário.
  • Produtos de beleza e fragrâncias;
  • Plastificantes;
  • Esteróides: (provenientes da indústria pecuária leiteira);
  • Hormônios: (Provenientes de anticoncepcionais eliminados na urina e através da aplicação de estrume em terras agrícolas como fertilizantes);
  • Dioxinas e furanos;
  • Retardadores de Chamas;
  • Nanopartículas;
  • Drogas ilícitas (Cocaína, anfetamina).

Quais as fontes de contaminação?

Entre as principais fontes de contaminação estão os esgotos que são despejados em rios. A maior parte dessas substâncias têm como via principal a água.

Após ser ingerida e eliminada, essas substâncias caem no sistema de esgoto, e consequentemente, acabam entrando em contato com diferentes ecossistemas.

Quais os impactos ambientais?

Os impactos variam de acordo com os grupos de contaminantes. No caso dos hormônios, há estudos realizados na UNICAMP alertando quanto à queda da fertilidade de aves, alteração no desenvolvimento de moluscos e anfíbios, e feminização de peixes, causando alterações na reprodução das espécies.

A presença dos fármacos na água é suficiente para induzir resistência aos antibióticos. Suspeita-se que os neonicoticoides, uma classe de inseticidas derivados da nicotina utilizados no controle de insetos e seus predadores naturais, também atinjam insetos polinizadores, por exemplo, as abelhas.

Um dos principais riscos é a geração de grandes quantidades destes contaminantes, pois não sabemos os efeitos dessas substâncias para a natureza e para a saúde humana a longo prazo.

Existem concentrações que não ofereçam risco?

No Brasil, não temos nenhum órgão que avalie e indique um limite seguro destas substâncias, por conseguinte, a alternativa que fica aos interessados é consultar listas internacionais.

Como tratar os contaminantes emergentes?

Pouco se sabe até o momento sobre como remover esses contaminantes da água e do solo. Os tratamentos usados hoje em dia em estações de tratamento de água, por exemplo, não são eficientes para remoção desses compostos.

Alguns estudos citam como alternativas processos de troca de fase, separação por membrana seguida de processos biológicos e oxidativos, porém a eficiência varia muito.

Apesar de não termos nenhum órgão fiscalizando isso atualmente no Brasil, muitos pesquisadores já estão se antecipando em buscar soluções.

O que podemos fazer?

Sem uma legislação que faça essas exigências, tem sido cada vez mais comum encontrar esses compostos nas torneiras das residências, uma vez que filtros domésticos não são capazes de remover esses compostos.

A melhor alternativa seria uma mudança na legislação e tratamentos eficazes para remoção desses compostos, principalmente na água para consumo humano.

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